A secura do tempo, do ar, carregado de poeira e fumaça, Embaça a alegria e, entorpece a alma e o coração. A agonia estampada na ressequidão da paisagem, O fogo que alastra sem cessar A vida que se ressente e sucumbe à dor e à escassez. Hoje me faltaram esperanças. Sinto um ímpeto em escamotear imagens desidratadas. Um excesso interno de vida pra aguda penúria de umidade, Que impede os brotos e as inspirações genuínas e mornas da tarde quente. Retorcem-se as entranhas, retorcem os galhos carcomidos pelo fogo e pela luta. Faltam as forças, falta o retorno, falta o abrigo, falta a brisa do mar. O céu permanece azul, adiantando que não há previsão de chuva. O coração permanece em penumbra, aguardando o sinal pra que a luz seja acesa. O tempo corre, retorcido pela íntima percepção de clausura.
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!