Não vou ser tão lugar comum pra dizer que a vida começa aos quarenta, mas vou dizer sim e com conhecimento de causa, que depois dos quarenta começa uma vida diferente. Diferente eu disse, não melhor ou pior, não mais promissora nem menos glamorosa. O fato é que mudamos, eu mudei e já li e ouvi vários relatos de mudanças, além das óbvias e identificáveis com um olhar. Aliás, é exatamente o olhar que sofre modificações, às vezes muito sutis, outras mais agressivas. Nosso olhar se vira pra dentro, não num gesto egocêntrico de desprezar o outro, mas num gesto delicado de se conhecer, de desvendar mistérios até então embaçados, de descobrir que somente conhecendo-nos mais profundamente somos capazes de perceber o outro holisticamente. E hoje acredito nisso. Aos quarenta (e poucos) anos a vida perde ilusões, mas ganha soluções; os amores perdem fantasia, mas ganham novas percepções; as paixões perdem furor, mas ganham ternura; o mundo passa por um filtro mais exigente, as pessoas a...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!