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Mostrando postagens de setembro, 2011

Idade inteira

Não vou ser tão lugar comum pra dizer que a vida começa aos quarenta, mas vou dizer sim e com conhecimento de causa, que depois dos quarenta começa uma vida diferente. Diferente eu disse, não melhor ou pior, não mais promissora nem menos glamorosa. O fato é que mudamos, eu mudei e já li e ouvi vários relatos de mudanças, além das óbvias e identificáveis com um olhar. Aliás, é exatamente o olhar que sofre modificações, às vezes muito sutis, outras mais agressivas. Nosso olhar se vira pra dentro, não num gesto egocêntrico de desprezar o outro, mas num gesto delicado de se conhecer, de desvendar mistérios até então embaçados, de descobrir que somente conhecendo-nos mais profundamente somos capazes de perceber o outro holisticamente. E hoje acredito nisso. Aos quarenta (e poucos) anos a vida perde ilusões, mas ganha soluções; os amores perdem fantasia, mas ganham novas percepções; as paixões perdem furor, mas ganham ternura; o mundo passa por um filtro mais exigente, as pessoas a...

Pas de Deux

Os poemas são como as arcas, que guardam em vãos cerrados, significantes embaralhados. Mas ao se abrir um livro, e pôr-se a degustar os versos, nascem sensações, que delicadamente desfazem os nossos invernos! E o poema então se sacode, espreguiça-se da hibernação, e dança mais uma valsa com inédita melodia, em sublime parceria, com um novo coração!

Canção da Primavera

A chuva mansa caindo, cortina de reviver, lavando a fumaça da alma, serenando a secura da terra, recolorindo de verde a montanha, pintando o mundo, mil flores! Ó primaveril estação! Sua chegada enobrece, encanta a vida de novo enternece, e nos obriga a ter esperança!

Polivolt

Alegria... Melancolia... Súbita euforia... Neurastenia... Amarga apatia... Tudo isso cabendo, dentro de um único dia! E assim a vida me segue, sem tempo para ensaiar, Indago por vezes ao cosmos, aonde que é pra chegar?

Barulhos do silêncio

Nós que somos marcados, por altos decibéis, custamos a ouvir o silêncio, por vezes pagando mil réis. O sossego que revigora, com seus ruídos naturais, um pio, um grito de bicho, a natureza e seus muitos ais. Nós que não aprendemos, a viver na ausência de sons, buscamos incessantemente, um instante dentro de nós, para em contato com Deus, receber os nossos dons!

Benditos

Das vidas que o sábio destino, gentilmente costurou à minha, existe um trio especial... Reserva, carinho, ousadia um grande amor pra cada qual, plantado, colhido em meu ventre pra sempre a melhor poesia!

Mutante

Odeio rótulos. Isso é para biscoitos ou enlatados que precisam dizer exatamente o que trazem dentro da embalagem. Não somos produtos, eu não sou. Portanto, mesmo com algumas características óbvias, me dou o direito de me surpreender. Podemos ser estudiosos, sem sermos nerds. Podemos gostar de tatuagens, sem sermos puncks. Podemos ser religiosos, sem sermos retrógrados. Podemos ser ricos, sem sermos arrogantes. Mas o mundo e todo mundo insiste em criar tribos, nomear comportamentos, limitar o conteúdo interno ou uma embalagem ousada a uma única descrição. Podemos ser vários e ao mesmo tempo sermos um só. Aí que mora o segredo. Ler compulsivamente e não viver num casulo de letras; optar por não comer carne sem deixar de freqüentar quem gosta de um bom churrasco; defender o meio ambiente sem se acorrentar a navios baleeiros; defender as leis antifumo sem banir de sua convivência os amigos que cultivam esse sofrível hábito. Ser livre é ser contraditório, é...

Margarida

Tamanho não possuía, mas teimosia tinha de sobra. O pezinho era infantil, as mãos pequenas, ágeis e sua presença era sutil. Vivia em meio às panelas de várias comidas servir, tudo bem temperado, coentro e pimentão. Era dona de um armário secreto, cheio de seus guardados e pras crianças, um agrado. Vaidosa, adorava cachos mas seu cabelinho dourado, insistia em lhe escorrer. Tenho dela lembranças doces, seu quarto cheirando a incenso, que ainda anos após sua ida, o mesmo aroma carregava. Adorava presentear, a cerveja, sua traquinagem, e com o vidrinho de sacarina, tentava seu mundo adoçar. Suas risadas fáceis escondiam, tristezas de um único amor. Minha avozinha Quetina, foi rainha da casa amarela, e trazia um nome de flor!

Construindo vidas

As células de uma existência, são feitas de cor e de dor, momentos que eternizamos, e diversos que morrem esquecidos, sem marcas especiais. Os parágrafos de uma história, são escritos sem perceber, e quando nos damos conta, e relemos o romance, aqueles dias comuns, sem nenhuma aspiração, tornam-se os mais importantes, pois constroem o coração. As notas de uma melodia, que aos outros é desvendada, são tramas amealhadas, de amores tão diferentes, de agruras vivenciadas. E cada um de nós, humanos somos obras primas incautas, que esperamos o indizível, e custamos a aprender,que a maestria está no possível!

Falando do tempo

O tempo voa impassível, às nossas preocupações, nos traz momentos incríveis, e outros muito banais. O tempo nos cobra atitude, mas nos contempla com placidez, pra entender seus desvios, e respostas conceber, aos nossos infinitos porquês. O tempo nos livra de tudo, da alegria e do tormento, troca o frescor da pele, por rugas de sensatez, só não conseguiu ainda, expor a morte sem sofrimento. O tempo segue a galope seu rumo, Avesso aos nossos temores, mas temos sempre ao despertar, mais uma chance de lapidar, o brilho de nossos amores!

Criatura

Não há nessa nossa vida, tantas vezes sem sabor, uma emoção mais benfazeja, que aquela de criar, o que ainda ninguém pensou. Pode ser um gol de placa, um bem trabalhado retrato, uma peça de madeira, um artefato de barro, um poema ou um rico bordado. Naquilo que fabricamos, imprimimos nossa essência, que mesmo bem disfarçada, se rende à evidência. Na conexão das palavras, nas cores embaralhadas, no tronco bem entalhado, ou na pedra bruta esculpida, podemos ver sem demora, a face do criador, que se desnuda, e sem amarras, derrama todo seu ardor!

Hecatombe

Parece que foi ontem, mas já faz dez anos. Uma década atrás o mundo conhecia a fúria e a ousadia macabra do Al Qaeda. Até então, Osama Bin Laden era apenas um nome estranho de alguém mais estranho ainda. Lembro-me como se fosse ontem meu filho de sete anos me gritando para ver aquilo que parecia uma fatalidade, um incêndio acidental ou uma explosão qualquer no edifício mais famoso do mundo. Passamos alguns minutos diante de imagens sem legendas e sem narração, pela total impossibilidade de se saber o que havia acontecido. Penso que como eu, ninguém em sã consciência pensou em atentado, no máximo um acidente aéreo desastrado. Mas o imponderável aconteceu diante dos olhos de um mundo perplexo e paralisado: outro avião se despedaçava no outro edifício famoso, norte e sul, fogo, morte, desassossego, incredulidade, horror. Veio a notícia, estávamos ao vivo diante do maior e mais terrível atentado terrorista da história da humanidade. Em minha opinião perde para os requintados atos de ...

Mar de morros

As janelas de minh’alma, são verdes... Mas não são da cor do mar, que gosto não tenhas dúvida, todavia não me traduz. Talvez sejam a cor da floresta, da tão distante terra natal, lá no extremo do Brasil. Mas sou mesmo é bem mineira, de berço, querer e paixão, pois na minha concepção, não há maior espetáculo, remédio pra todos meus ais, que o sol se deitando no colo, dos morros de Minas Gerais!

Aconchego

Da janela de minha sala, avisto uma árvore e o céu, e hoje olhando o entardecer, com suas nuances cor de ouro, do alaranjado ao total breu, senti que no mundo todo não há, outro lugar que eu queria estar!

Curingas

Sou de uma geração que teve, de reinventar valores, aceitar diversos amores, descobrir sabores. Sou de uma geração que teve de inventar ferramentas, desconstruir sistemas, criar novas vestimentas. Minha geração assistiu, a queda de muros, a luta contra os duros, a criação de danos futuros. Sou de uma geração que não aprendeu, dar a vida por ideais, sonhar com histórias irreais, ter equilíbrio como pais. Herdamos um mundo, onde o poder se chama dinheiro, a natureza não é mais por inteiro, nossa casa não é só nosso canteiro. Vivemos num planeta, que se rendeu à violência, que à dor do outro não tem complacência, que não exerce mais a paciência. Enfim... Nascemos em anos dourados, crescemos em tempos de chumbo, adolescemos meio alienados, fazemos o novo milênio, e, se nós mesmos permitirmos, e Deus nos ajudar, deixaremos aos nossos filhos, um mundo menos perverso, com a vida a se equilibrar! Oxalá!