Existir é um assombro, Adélia tem razão! E à medida que o tempo passa e a vida se mostra em todas as suas nuances, mais assombrosa me parece. Quando criança dava tratos à bola para tentar entender como o universo poderia ser infinito se tudo que conhecia tinha começo e fim, o infindo me parecia impossível. Lembro que ficava imaginando o depois; depois do planeta, depois da galáxia, depois da existência. Ainda me perturba essa ideia. Viveremos pra sempre, mesmo que em planos diferentes? Se o universo é infinito e a vida é eterna, porque somos tão cruelmente agarrados ao nosso limitado viver? Não consegui ainda as respostas. Há até algumas teorias científicas, religiosas, filosóficas. Mas nada ainda conseguiu aplacar em mim as indagações que carrego da infância. Sigo buscando. Viver pode ser mágico, trágico, plácido. Por que alguns passam pela vida num silencioso caminhar ao passo que outros percorrem atalhos estrondosos? Por que uns carregam sorrisos numa vida de luta...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!