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Mostrando postagens de julho, 2019

Metamorfoses

“Somos transição, somos processo. E isso nos perturba. O fluxo de dias e anos, décadas, serve para crescer e acumular, não só perder e limitar.” Essa afirmação do livro Perdas e Ganhos de Lya Luft é uma boa e necessária reflexão. A vida é processo e na maioria das vezes abstraímos o caminho e focamos apenas no resultado e nas perdas que acumulamos pelas estradas. Isso vale para aspectos profissionais, emocionais e pessoais. Mesmo por estradas enviesadas, mesmo seguindo um tanto distraídos de quem realmente somos, contabilizamos ganhos.  Nem sempre sabemos onde queremos chegar e vagamos ao sabor do vento meio entorpecidos pelas demandas que se impõem. Porém, sempre chega um momento na caminhada que somos sacudidos por acontecimentos, naturais ou inesperados, que nos tiram da zona de conforto e nos fazem acordar! E, a partir do momento que despertamos, não há como retroceder, mesmo que a escolha seja permanecer no mesmo lugar.  Pensem numa figura na qual nos sej...

Poesia Salva!

De todos os gêneros literários, o que melhor me acolhe hoje é a poesia. E a poesia não se resume a versos. Pode estar contida em prosa, em notas musicais, em gestos, no vento, e em tudo que for inspirador. Poesia é olhar e ver beleza no mundo das coisas, das pessoas, dos bichos. Poesia é um estado de espírito, é salvo conduto pra esses tempos sombrios, é arco-íris em céu de tempestades. Na poesia tudo se ajeita e faz sentido.  Rubem Alves dizia que a função da poesia é recuperar os pedaços perdidos de nós. Concordo e ando encontrando alguns pedaços meus que o rolar da história escondeu. E através dos versos que leio e rabisco, vou me buscando, encontrando respostas e colhendo presentes da vida.  Mas a poesia carrega sutilezas que nem todos conseguem perceber. O mundo anda muito pragmático, sem lugar para palavras cuja função é apenas encantar. Por mais que saibamos que o encantamento é capaz de transformar, a poesia ainda não é escolha de muitos...

Hóspede

Um quarto de hotel Carrega a solidão da impessoalidade. No exíguo espaço carece cor e poesia Nada é familiar, só as lembranças Que vêm em devaneios dissonantes Uma mistura esdrúxula De passado e futuro Num presente inconcluso. Nesse quarto de hotel, De parco luxo e conforto questionável Leio Drummond e sonho!

Nó

Nó na cabeça Nó no sapato Nó Nó que é cego Nó que escurece Nó Nó nas ideias Nó no caminho Nó Nó que embaraça Nó que disfarça Nó Nó que se dá Nó que se inventa Nó A cuca dá nó A tripa dá nó Nó Em busca do abraço Que o faça em laço