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Mostrando postagens de junho, 2014

Cartas.com

Caro Sr. Manoel Cunha, Pai, (preciso te chamar assim ao menos dessa vez) A vida não foi generosa com a gente, ao menos comigo não. Talvez você não pense assim, talvez até pense que a vida foi boa e não fez você responsável por ninguém, pode ser! Mas, sinceramente, isso agora não tem a menor importância. O que você pensa não tem mais poder sobre mim, e logo agora que te encontrei! Como disse Guimarães rosa, ‘o correr da vida embrulha tudo’ e quando nos damos conta, o que foi vital um dia, no outro é só um detalhe. E é isso que você é pra mim hoje, só um detalhe. Mas não foi sempre assim. Desde que me entendi por gente sentia a sua falta como de um braço que perdemos abruptamente. Sentia a dor fantasma do membro que não existe mais. Mas nesse caso a dor era por nunca ter sido, nunca ter tido, nunca ter merecido a presença de um pai. Por muito tempo eu me culpei, pois na cabeça de uma criança pequena, que via seus amigos e parentes com um pai, a sua ausência só podia ser cul...

Acolhimento

Preconceito! Que atire a primeira pedra quem não o tiver! Temos todos, sem nenhuma exceção, e aqueles que se intitulam liberais e isentos de quaisquer preconceitos é porque ainda não pensaram seriamente a respeito. Remexa seus valores, conscientes ou involuntários, individuais ou coletivos. Procure bem que ele está lá, à espreita, e em algum momento irá se manifestar, é só uma questão de tempo, ou oportunidade. Somos seres preconceituosos por excelência, e as formas desse mal são infinitas. Vivemos atualmente a cultura do politicamente correto. Mas essa talvez seja a pior das máscaras que esconde o preconceito que temos. Pensamos ao falar, ao escrever, mas o sentimento não recebe igual tratamento. E o que me fez pensar sobre isso agora, foram as ilustrações de uma jovem design gráfica que desponta na mídia. Carol Rosseti é o nome dela, tem 26 anos e é mineira de Belo Horizonte. Carol lançou uma série de ilustrações que escancara o preconceito e todas as pressões sociais so...

Morte súbita

Viveu em meio às palavras E num momento de hesitação, Sufocou com uma vírgula. Careceu de valentia Não falou o que queria Não gritou sua agonia Não expôs sua anarquia Coitado, tão bom! Diziam todos. Bom demais! Disse-lhe a vida. Padeceu... De que seria? Discrição em demasia? Ou uma baita covardia?

Talismã

  Num dia em que morri Era manhã de verão Fazia calor escaldante E a tristeza me assassinou Numa noite em que morri Madrugada longa de outono Uma brisa cortava o ar E a angústia me sufocou. Numa tarde em que morri, Eram cores de primavera As flores desfilavam duetos E a desesperança me aniquilou. Num inverno em que morri Sopravam ventos cortantes O frio espantava os sorrisos E a decepção me aplacou. Foram muitas as minhas mortes Nas várias estações que existi De dores, saudades, amores Mortes morridas ou suprimidas Mas de todas, minh’alma fênix Mesmo mutilada, renasceu. Metamorfoseando vida em versos Na poesia [meu talismã] ... sobrevivi.

Roda Gigante

  Estou aqui, de frente à folha em branco e sem saber o que escrever. O mundo está cheio de notícias, a vida cheia de indagações e não consigo pensar em nada, as palavras fazem greve de mim. Poderia falar de futebol, assunto da hora e atual overdose midiática; poderia falar de corrupção, assunto sempre em voga em nosso país; poderia ainda falar da falta de água, da sofrível e sofrida educação brasileira, da saúde em nosso país que teima em não sair do estado de coma. Assunto não falta, você pode alegar!  Não falta mesmo. Haja vista os milhares de jornais, telejornais e revistas que circulam diariamente recheados de assuntos diversos. Mas ando em crise com o mundo atual, com as notícias cruas e desagradáveis, com o sangue que escorre nas páginas policiais, com as artimanhas políticas que enjoa e envergonha, com os egos inflados e a ignorância que reina. “Pare o mundo que eu quero descer!”, eu também Raul. Ando de coração blindado, de alma vacinada contra as mazelas repe...

Rumo ao inevitável!

A Copa do mundo é nossa! Dessa vez não é a taça, é a Copa mesmo, a taça também pode ser, mas aí já é outra história. Somos anfitriões dos olhares do mundo inteiro, dos apaixonados pelo futebol planeta afora, da mídia internacional, de 32 seleções dos cinco cantos da Terra. Teremos, durante um mês, os holofotes voltados pro nosso quintal, pras nossas mazelas, pros nossos costumes. Seremos o epicentro das notícias, o olho do furacão, o palco do maior espetáculo esportivo do mundo. Mas há uma tristeza no ar... Estranhamente, o país do futebol não está feliz com a Copa das Copas. Talvez no dia 12 de junho, quando derem a largada rumo ao título, o orgulho verde-amarelo nos arrebate e as raízes falem mais alto, quem sabe? Talvez quando a bola finalmente rolar, nos gramados superfaturados de nossos modernos estádios, consigamos esquecer toda a maléfica brasilidade tatuada em quaisquer grandes obras erguidas por aqui. Talvez quando os atletas do futebol, catapultados pela mídia ao...