Caro Sr. Manoel Cunha, Pai, (preciso te chamar assim ao menos dessa vez) A vida não foi generosa com a gente, ao menos comigo não. Talvez você não pense assim, talvez até pense que a vida foi boa e não fez você responsável por ninguém, pode ser! Mas, sinceramente, isso agora não tem a menor importância. O que você pensa não tem mais poder sobre mim, e logo agora que te encontrei! Como disse Guimarães rosa, ‘o correr da vida embrulha tudo’ e quando nos damos conta, o que foi vital um dia, no outro é só um detalhe. E é isso que você é pra mim hoje, só um detalhe. Mas não foi sempre assim. Desde que me entendi por gente sentia a sua falta como de um braço que perdemos abruptamente. Sentia a dor fantasma do membro que não existe mais. Mas nesse caso a dor era por nunca ter sido, nunca ter tido, nunca ter merecido a presença de um pai. Por muito tempo eu me culpei, pois na cabeça de uma criança pequena, que via seus amigos e parentes com um pai, a sua ausência só podia ser cul...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!