Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de fevereiro, 2013

Fala, Yoani!

Texto publicado no Jornal O Tempo, em 03/03/2013 Yoani Sánchez, cubana, 37 anos, casada, filóloga e moradora de Havana. Confesso que até pouco tempo esse nome não me chamava atenção, apesar de já ter conhecimento de seu trabalho contra a repressão na ilha de Fidel através de seu blog, Geração Y. Mas isso mudou com a sua vinda ao Brasil após as mudanças implantadas em Cuba, que, diga-se de passagem, subtraía o universal direito de seus cidadãos de ir e vir, e que agora num lapso de sensatez, ou apenas num sinal claro de que o nocaute se aproxima, decidiu liberar as viagens ao exterior de seus compatriotas. Yoani tem aparência sofrida. Sua imagem é frágil, desprovida de vaidades. Mas sua fragilidade se desmaterializa no momento em que ela fala. Aliás, foi sua fala incisiva e segura e seu discurso corajoso, que a fizeram conhecida mundo afora. Ela denuncia a falta de liberdade em seu país, ela denuncia o abuso de poder exercido por seus governantes, ela denuncia a violação de dir...

Tardes de Futebol

Fui frequentadora de estádios de futebol quando criança. Na falta de filhos homens, meu pai me levava com ele para assistir aos jogos do Galo no Mineirão. E eu adorava! Gritava e vibrava como um moleque, saía de lá completamente rouca e sentia-me realizada ao final do espetáculo. Lembro-me que várias vezes íamos de geral, junto com a massa alvinegra e não tenho nenhuma lembrança de incidentes ou problemas. Era pura alegria. Apesar do estádio lotado, não sentia medo. Sabia que acabado o jogo, voltaria pra casa sã e salva, como deve ser. Naquele tempo estádio de futebol era lugar de lazer. A torcida fazia performances e criava hinos em louvor a seu time. A entrada dos jogadores em campo era de arrepiar! Crianças, mulheres e idosos dividiam pacificamente o mesmo espaço dos jovens e das torcidas organizadas. Todos estavam lá para se divertirem e assistir seus ídolos jogarem. Se ganhavam, ficávamos eufóricos e alegres. Se perdiam, o máximo que acontecia era xingar o juiz ( ou a mãe do c...

Singular ou coletivo?

Viver em sociedade não é tarefa fácil! Até seria simples se não fossemos, na essência da espécie, tão egoístas. Somos seres individualistas por natureza e nosso bando são aqueles a quem amamos; os outros são adversários ou concorrentes. Esta afirmação pode parecer muito dura à primeira leitura ou fatalista demais, mas podemos argumentar sobre o tema. Minha timidez me fez uma voraz observadora do comportamento das pessoas com quem convivo. Tenho horror a injustiças e maior pavor tenho de cometê-las de alguma maneira. Tenho comigo uma busca constante do não julgamento, ou seja, de educar o olhar em direção ao outro com as mesmas medidas com que olho para mim mesma. Não é simples! Talvez seja o que há de mais complexo nessa aventura da convivência a que estamos inexoravelmente destinados nesta vida. Mas sigo pelejando! Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim ; disse o genial Millôr Fernandes. E essa frase talvez descreva grande parte do comportamen...

Escolhas

Gostava de brincar de cientista. Devia ter uns doze anos quando ganhei de presente um kit laboratório, e esse foi meu passatempo preferido por um bom tempo. Amarrava o cabelo num rabo de cavalo, colocava um avental e me trancava na sala de casa guarnecida de meu microscópio ótico, lâminas com fatias de cebola e outros vegetais, um abajur para facilitar a visualização, tubos de ensaio com reagentes químicos e por lá passava horas a descobrir as células, os detalhes de pequenos insetos e outras tantas coisas que me davam na telha. Sentia-me o máximo com aquela parafernália toda e com um look de salvadora do planeta. Bons tempos! Sempre me interessei pela vida e suas perfeitas engrenagens. Acompanhava um programa de TV chamado Vida Animal e que mostrava os hábitos e curiosidades de animais selvagens. Colecionava revistas National Geographic. Na época a ecologia ainda não era popular, computador era ficção científica e internet era coisa inimaginável. Nossas companheiras mais próxima...

Reflexo

Palavras sopradas na brisa Suavemente... Engrandecem, afagam São pétalas suaves Descortinando sonhos. Palavras atiradas ao vento Asperamente... Desencantam, arranham São espinhos desleais Apequenando feitos. Palavras tecidas na alma Verdadeiramente... Emocionam, elevam São gotas essenciais Perfumando vidas. Palavras repetidas ao léu Inadvertidamente Materializam-se, tomam forma São rezas invertidas Definindo rumos. Palavras são espelhos Traduções... Silenciadas ou contadas Desvendam pensamentos Escancaram sentimentos. Palavras, Imagens nossas!

Alegoria

Esquentam-se os tamborins... O apito do mestre é meu guia Batucada, o coração contagia. E viajo nas ondas da bateria De volta no tempo, nostalgia. As mesmas esquinas, a mesma via. Lembranças de sorrisos carnavais, Fantasia, folia, alegria... Era só o que cabia!

Beijar ou não beijar: Eis a questão!

Uma notícia que vi na tarde de hoje me chamou atenção: O STF decidiu que é preconceito deixar de beijar na boca uma pessoa pelo fato dela ser feia. Confesso que ainda não estou acreditando na veracidade de tal nota, tão absurda achei-a, mas supondo que seja verdade, merece uma reflexão. Primeiro que decidir o beijo alheio, não seria da competência de tão nobre instância. Acredito que, num país como o nosso, onde direitos básicos são negados, onde a corrupção come solta, onde as leis de segurança não são cumpridas nem fiscalizadas, esse não é um problema de segurança nacional. Ou é? Outro problema. Beleza é um quesito subjetivo. “O que seria do verde se todos gostassem do amarelo?” Então como padronizar quem é o feio e quem é bonito para ser beijado? Será que tem algum manual? Ou quem sabe um atestado? Imaginem: especialistas em beleza expediriam atestado, que deve ser levado junto a outros documentos, dizendo se as pessoas são feias ou bonitas. Os bonitos não podem reclamar se ti...

Morte: Fim ou recomeço?

Todo mundo concorda que a única certeza que temos na vida é que morreremos um dia. A morte é a verdade inexorável da vida e mesmo assim somos tão despreparados para ela. Sempre que perdemos alguém querido, custamos a nos conformar com o desaparecimento e com a ideia de nunca mais. Choramos e sofremos por nossa perda e por mais que sejamos crentes na vida eterna ou na continuidade da existência, a ausência física machuca sobremaneira. Acreditar que nossa passagem por esta vida é somente um estágio para aprendermos e evoluirmos, e que a essência continua sua caminhada, talvez amenize a dor. Acreditar que temos uma missão a cumprir neste plano e que após o cumprimento dessas metas nosso tempo expira, talvez conforte o coração. Acreditar que todos continuam vivos, aguardando um momento final ou voltando à roda de reencarnações, talvez abrande o desespero. Mas acredito que a fé na justiça Divina e na perfeição dos planos de Deus seja o verdadeiro consolo. Sempre costumo dizer que não...