Há alguns anos escrevi um texto, chamado pé no freio, no qual debatia a pressa insana que nos tomava e era a causa de tantos transtornos observados, até mesmo entre crianças e adolescentes. Volto ao tema hoje, quando estamos instalados em uma pandemia há 15 meses, e mesmo assim, ou até por isso, estamos em sofrimento pelo excesso de demandas. Atualizando meu celular, me deparei com uma nova função do WhatsApp, o acelerador de áudios. É possível acelerar as falas em até duas vezes, e ouvir nossos interlocutores como num disco antigo de 78 rotações (os da minha geração irão se recordar) e assim economizarmos alguns segundos do dia. É engraçado, porém, por trás disso está uma sociedade seriamente adoecida e adoecedora. Adoecida porque ansiosa num grau altíssimo e incapaz de ouvir um áudio ou até assistir a um filme, que a princípio seria lazer, em velocidade normal. É preciso acelerar, para colocar mais coisas dentro de um único dia. Perdemos a paciência, a espera, a fruição. ...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!