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Distração Perigosa.



Lazara é muito distraída. Aliás, a distração é uma de suas características marcantes e já a colocou em situações inacreditavelmente embaraçosas.

Uma ocasião, em uma mesa de bar com alguns amigos, destampou a falar de uma fulana que a desagradara dias antes. Apesar de não ter o hábito de malhar a vida alheia, a desfeita sofrida tinha sido grande e sentiu-se então no direito de crucificar a coitada em mesa pública. Erro fatal em uma cidade pequena! Depois de ter babado de falar da outra, certa de estar em ambiente seguro, eis que se levanta uma sirigaita e anuncia sem piedade:
_ A Fulana é minha irmã!

Pobre Lazara! De tão estupefata com tal proclama ficou, que a única reação que teve foi cair num convulsivo pranto. De vergonha pela gafe, de raiva da sirigaita cruel e de ódio de si mesma por ter esquecido este parentesco.

Outra vez, ela estava no centro da cidade em Belo Horizonte e esperava, em pleno rush, para atravessar a Avenida Afonso Pena. Quando chegou à calçada avistou mais adiante uma criança que esperava sozinha para atravessar também.

Ela estranhou um menino tão pequeno estar ali desacompanhado e, com seu espírito solidário e prestativo (aliás, uma de suas muitas qualidades é a disponibilidade em ajudar) pegou o menino pela mão e disse:
_ Vem comigo que eu te ajudo a atravessar. Esta avenida é muito movimentada e precisa ter muito cuidado e atenção.

O menino recebeu com grande satisfação o auxílio e segurou firme sua mão. Ela atravessou com esmero redobrado, fazendo sua boa ação. Quando chegaram do outro lado e ela se preparava para se despedir e recomendar cuidado à criança, se deparou com um senhor sorridente e visivelmente enamorado daquela que, numa atitude inesperada e arrebatadora, o pegara pela mão.

Lazara levou um susto tremendo e percebendo o equívoco da situação que criara, exclamou constrangida e atônita:
_ Ah... Não!

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