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Quanto custa ser feliz?


O que o dinheiro não compra? Ouvi essa frase outro dia num programa de TV e achei a discussão pertinente para uma reflexão. Vivemos em um mundo consumista, que a todo o momento nos tenta fazer acreditar que a felicidade está em ter um novo carro, um novo celular, um aparelho eletrônico de última geração ou uma roupa de marca famosa. Somos bombardeados ininterruptamente com a ideia de que pessoas de sucesso são aquelas que possuem muitas coisas. Mas será que uma vida simples, sem ostentação, é incapaz de oferecer felicidade? Vale pensar.

Que o dinheiro é indispensável para uma vida minimamente digna, é fato. Que um pouco de dinheiro a mais é bom para termos conforto e facilidades, sem precisar contar tostões, também concordo. Mas volto a repetir que felicidade não pode ser facultada a coisas materiais, felicidade é o que somos, é o modo como nos sentimos e nunca somente as coisas que acumulamos. Pois nosso querer não conhece limites e se colocamos a nossa satisfação exclusivamente naquilo que conseguimos comprar, em pouco tempo estaremos novamente insatisfeitos e querendo novas coisas.

Conheço pessoas que possuem muito e vivem em busca da felicidade que o dinheiro não pode comprar. Conheço pessoas que possuem muito pouco e que são gratas pela felicidade que vivem. Já conheci pessoas que nada possuíam, mas que carregavam um sorriso no rosto e uma alegria genuína. Portanto, a felicidade não está à venda. Mas está disponível a quem puder encontrá-la. Resta pensar: aonde ela se esconde?

Talvez ela nem se esconda, talvez esteja explícita a todo o momento. E nós é que não estamos sabendo enxergá-la, porque focamos sempre nossas atenções naquilo que não temos. Não temos uma casa maravilhosa, não temos um amor perfeito, não temos o carro do ano, não temos o emprego ideal. Andamos tão bobamente correndo atrás daquilo que achamos ser a felicidade, que tudo que vivemos cotidianamente passa a ser banal e sem importância.

E voltando a pergunta primeira, o que o dinheiro não compra? Muita coisa! Não compra o respeito das pessoas, não compra a admiração, não compra um amor de verdade, não compra amigos leais, não compra uma família unida. Talvez seduza pessoas, ou aproxime conhecidos, ou pague companhias transitórias. Mas sentimentos reais independem do vil metal. Graças a Deus!

O mundo anda meio superficial, impaciente pra questões mais profundas. As coisas são instantâneas demais pra criarem raízes. Muita informação, muitos acontecimentos, muita novidade; e tudo se banaliza na mesma velocidade em que choca e emociona. Estamos gradativamente perdendo a capacidade de ruminar o que vemos a nossa volta. A vida é fast food! E a nova geração já chega pilhada, querendo muito e curtindo quase nada. Talvez toda essa loucura nos dê a sensação que a felicidade pode ser adquirida no shopping mais próximo.

Pois bem, pra ser feliz é preciso muito mais tempo que dinheiro. Tempo para sentir, pra pensar, pra olhar e ver, ouvir e escutar. Tempo pra viver! O dinheiro pode facilitar e enfeitar, mas com certeza não oferece garantias.

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