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Autodefesa



Tenho um ritual de domingo. Ler jornal ao acordar e revistas ao deitar. Apesar de não ser apegada á costumes, esse me faz falta. Gosto de me manter informada do mundo, o que ele anda fazendo e colhendo por aí. Mas admito que as notícias não andam boas. Para evitá-las em overdose, me abstenho de assistir alguns telejornais, que caso entrassem num moedor de carne, o sangue jorraria aos baldes! Será que os homens voltaram aos tempos dos bárbaros? A violência grassa sem dó nem piedade.

Já ouvi especialistas dizendo que, apesar da sensação de aumento, os níveis de violência até que são modestos se comparados a outras épocas, o que aumentou foi a divulgação. Outros dizem que o homem é um ser naturalmente violento e a civilização foi um verniz histórico e frágil, que pode ruir a qualquer momento, em qualquer lugar. Será? Não sei a resposta, o que sei é que não ando querendo engolir todas essas notícias que envenenam a nossa alma e nos enfraquece a fé na humanidade.

Voltando aos jornais de domingo e às revistas semanais, anda ficando difícil ter o que ler. Pulo as páginas de política, pois as notícias parecem requentadas e só me causa náuseas; pulo as páginas policiais, pra não ter meu dia contaminado logo cedo; o caderno de TV não tem muito que dizer, pois a grade está cada dia mais sofrível, aff! Sobra então o caderno de cultura, alguns artigos interessantes, o caderno de ciência que sempre traz alguma novidade, receitas e algumas notícias internacionais. Metade do jornal vai para o lixo sem ser lido, mas meu domingo e minha semana são salvos de tantas palavras dispensáveis.

E isto não é alienação, é autodefesa. Informação é indispensável, momentos históricos precisam ser lidos e entendidos, a situação do país deve ser compreendida e refletida, mas sorver a desgraça alheia sem filtros é loucura e ruminar os despautérios políticos sem tomar atitudes é bobagem. Como sempre acho que podemos ver vantagens em qualquer situação, sempre me tem sobrado um tempinho no domingo, pra ler um bom livro de poesias!

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