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Quem sabe um dia?








Vivemos uma semana de tensão e medo! Greve e desabastecimento, país em alerta máximo, prejuízos astronômicos, opiniões das mais sensatas às mais esdrúxulas, comportamentos questionáveis, manifestações políticas alucinadas e um governo canalha, fraco e sem qualquer vocação para o diálogo e as negociações. Tempos sombrios e o prognóstico não traz luzes no fim do túnel! O que podemos esperar desse nosso país? O que podemos exigir dos brasileiros? Em tempos de dicotomia política, radicalismos insanos e ignorância irrestrita qual a chance de termos um futuro próspero? 

Passado o furacão, vida se normalizando devagar apesar dos estragos, precisamos refletir sobre os acontecimentos que tiraram o sono dos brasileiros nesses últimos dias. Primeira reflexão: Com todo o respeito que os caminhoneiros merecem, como uma nação desse tamanho pode ficar refém de um único meio de transporte para abastecimento de todos os produtos essenciais? Qual o motivo para a falta de investimentos na malha ferroviária, que poderia transportar quase tudo e com custos bem inferiores? Pior, mais que falta de investimento em novas ferrovias, há a deterioração das existentes. Esse assunto não figura em nenhuma pauta de discussão política. 

Como somos completamente dependentes de combustíveis fósseis, vilões do planeta, que tem oferta limitada e um dia acabará? Qual a razão de outras fontes de combustíveis renováveis não serem insistentemente pesquisadas e colocadas em uso, aqui e mundo afora? Estamos irremediavelmente atrelados e dependentes à oferta desses combustíveis e da energia elétrica. Nossa vida moderna e cheia de possibilidades não dá um passo sem eles. Uma pane e retrocedemos aos tempos de nossos antepassados. 

Como nos comportamos em situações agudas de conflitos e crises? Mal, muito mal! Não desenvolvemos como nação o espírito de coletivo, é cada um por si e dane-se o outro. Carregamos em nossa essência o perfil usurpador de nossos colonizadores, queremos a nossa parte, as nossas benesses, mesmo que isso traga perdas para a maioria. Somos solidários até o nosso espaço ser bulinado, aí a selvageria e a ignorância reinam! Nosso apoio é condicional às vantagens que receberemos. 

Uma nuvem cinza nos oprime. Desde que me entendo por gente, ouço que o Brasil é o país do futuro. E talvez seja essa a maldição nas terras abençoadas de Santa Cruz. Esquecemos o passado, maltratamos o presente e ficamos eternamente na esperança de, um dia, deitar em berço esplêndido! Quem sabe um dia?! 



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