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Ponto final




Pontos finais não precisariam ser tristes, mas geralmente são. Gosto das orações grandes, onde há ideias que se complementam ou se contrapõem, porém em algum momento aquele raciocínio precisa ser concluído e o ponto final é necessário. E o word sempre avisa quando a oração está passando dos limites. Camarada, ele!Muito raramente um texto fica realmente pronto, perfeito. Sempre há o que acrescentar e o que revisar. Mas,  todo escrito tem suas fronteiras e chega uma hora que só um ponto final o salva.  

Os pontos finais podem ser melancólicos, pois extinguem as possibilidades de mudanças. Sempre ficam palavras por dizer, sempre ficam perguntas sem respostas. Sempre fica a sensação de que poderia ter ficado melhor, mais elaborado, mais claro. Sempre pensamos que podíamos ter nos dedicado mais um pouco. O fim é a extinção das tentativas, da esperança, do gesto que resgata o fôlego. Mas como disse Rubem Alves, 'todo fim venta um começo'.

Saramago escrevia sem ponto final. Tudo num discorrer ininterrupto de palavras, diálogos, reflexões. Não há fim, apenas pausas para respirar e continuar . Lê-lo assim me causa certa ansiedade e literal falta de ar. A leitura corre em busca do ponto que encerrará aquele fluxo intenso de história.   

A vida assim como a sintaxe, têm necessidades de pontos finais. Ciclos se encerram e está tudo bem. Faz parte dos processos de crescimento e renovação, a que estamos todos submetidos. Os pontos finais podem ser tristes, entretanto é dispensável que carreguem amarguras. É só a vida em movimento em busca do equilíbrio. Lembrando que o movimento traz com ele possibilidades e frescores. Novos parágrafos serão escritos e a história continua.

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