Pular para o conteúdo principal

Nenhures

 


Vivo a mastigar as palavras
Ruminando teorias e ensinamentos, e
Buscando os retalhos que caibam
No quebra-cabeças que faz
A vida parecer menos diminuta.
Ideias de muitas formas e tamanhos
Me assaltam e me fazem companhia
Farfalhando as saias dos meus pensamentos.
Creio em muitas, duvido de todas,
Não caibo inteira nenhures.
O universo é tão vasto, infinito
E essa imagem sempre me assombrou.
Por tantas vezes, nada faz sentido, e
Mergulho em um abismo insano
Agarrando em parcos nacos de alegria
Para não sucumbir ao oco da existência.
Mas há momentos tão plenos,
Tão imensamente preenchidos de tudo
Que dispensam qualquer significado.
Apenas sinto-os,
E os guardo no baú das respostas.
Entre o saber e o sentir,
A vida passa depressa demais.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Comprometa-se!

Comprometimento! Você tem visto isso por aí? Talvez seja essa a palavra e atitude que anda em falta nesses tempos conturbados que estamos vivendo. Tempo em que todo mundo tem opinião formada sobre tudo, as redes sociais trazem milhares de donos da verdade e que a palavra de ordem é seguir. Seguir no instagram, no snap, no facebook. E seguir significa comprar o que o outro ‘vende’, acompanhar, engolir, copiar. Mas e o comprometimento? Quantos realmente se comprometem com aquilo que acreditam e até mesmo com aquilo que seguem, seja lá o que for? Andamos carentes de lideranças genuínas. Andamos carentes de conteúdo. Andamos carentes de verdades ‘verdadeiras’, de comportamentos dignos de serem exemplos. Andamos órfãos de heróis e de ídolos que realmente possam agregar valores em nossas vidas. Muito pouco de muita coisa, pouca profundidade. Nosso mundo anda raso e líquido.  E não há comprometimento se ficamos apenas na superfície. Pra nos comprometermos com alguma ideia...